Monday, March 15, 2010

RETRATOS DO ATUAL GOVERNO

I - POLÍTICA EXTERNA

A atividade desenvolvida por um governo em suas relaçőes com
outros estados
soberanos e instituiçőes internacionais é chamada de política externa, ou
política exterior. Envolve todos os campos relacionados com outros países,
como
os da política interna neles praticada, cultura, comércio, defesa,
assinatura de
tratados e resoluçőes.

Por extrapolarem a vida nacional, com efeitos refletidos
sobre outras naçőes,
as decisőes de política externa adquirem um caráter de relativa permanęncia.
Sobrevivem ŕ duraçăo de governos que assumiram a responsabilidade de
executá-las. Eis porque ultrapassam limites de políticas de governo e se
constituem em políticas de estado.

Nos dois mandatos de governo do PT, os rumos aplicados ŕ
política externa
trazem preocupaçăo aos cidadăos que acompanham seus desdobramentos. Sua
tônica
tem sido um flagrante aplauso ŕ socializaçăo dita "democrática" e a
aproximaçăo
ostensiva com governos totalitários, que desrespeitam direitos humanos,
sufocam
a livre expressăo do povo e dos veículos de comunicaçăo.

Săo muitas as comprovaçőes.

Quando ocorreu a ocupaçăo das refinarias da Petrobrás na
Bolívia, nosso
governo ignorou a violęncia manu militari, admitiu o direito de país
soberano
de desapropriá-las e aceitou as condiçőes financeiras impostas, lesivas ao
patrimônio da empresa proprietária. Como justificativa, argumentou com a
pobreza do agressor militarmente fraco, necessitado de ajuda para reverter o
quadro de sua economia.

Situaçăo semelhante ocorreu no Equador, onde grande empresa
brasileira
contratada para obras hidroelétricas foi expulsa do país e dois de seus
dirigentes receberam voz de prisăo. Nenhuma atitude foi tomada por nosso
governo em sua defesa.

No Paraguai, o presidente que se elegeu fazendo campanha
pela revogaçăo do
Tratado das Cataratas obteve o que reivindicava. O tratado foi alterado, com
a
aceitaçăo tácita do Congresso e enorme prejuízo financeiro para nós, sob o
mesmo argumento de que o país mais pobre deveria receber ajuda.

Cuba mereceu investimentos milionários com recursos do BNDES
(seja: dos
brasileiros que pagam impostos) e visitas freqüentes, como a mais recente.
Nessa, a morte de um oposicionista em greve de fome recebeu de nosso
presidente
comentários deploráveis, como o que o comparou a bandidos presos em nossas
cadeias.

A Venezuela, que também é aquinhoada com milionários
contratos de interesse
discutível, tem os atos antidemocráticos de seu governo - como a
desapropriaçăo
de empresas de agronegócio, o fechamento de veículos de comunicaçăo e a
repressăo violenta a manifestaçőes da oposiçăo popular - aceita com a
desculpa
de năo interferęncia em seus assuntos internos.

Ao contrário, Honduras, que teve seu primeiro mandatário
deposto por decisăo
da Suprema Corte, referendada pelo Congresso, teve o dissabor de assistir ao
acolhimento de Zelaya como hóspede de nossa embaixada durante meses, aonde
exerceu, sem qualquer constrangimento, atividade política. Eleito seu
sucessor
definitivo, nosso governo năo o reconheceu até hoje.

Solidário com o Chile destroçado por terremoto, Lula deixou
ŕs pressas a posse
do presidente eleito do Uruguai, ex-tupamaro, para uma rápida visita ao país
arrasado, ainda governado por presidenta de esquerda. Poucos dias depois,
deixou de comparecer ŕ posse de seu substituto, empresário de centro que
derrotou a coligaçăo dominante desde o fim da era Pinochet. Năo deu
explicaçăo
sobre a interrupçăo da rotina de prestigiar as cerimônias de assunçăo de
novos
presidentes sul-americanos.

Os acontecimentos até aqui citados tęm coeręncia em seu
vínculo ideológico: o
socialismo eufemisticamente qualificado de "democrático", propugnado pelo
Foro
de Săo Paulo. Em suas reuniőes, dá assento tanto a governos de esquerda
quanto
a organizaçőes terroristas, como as FARC colombianas e o MST patrício. De lá
saiu a inspiraçăo para negar a extradiçăo do assassino italiano Battisti e
devolver a Cuba atletas que aqui pediram asilo.

Incoerente é a aproximaçăo com o regime fechado do Iră, que
nega o Holocausto,
propőe-se a tirar Israel do mapa mundial e insiste, veladamente, em
tornar-se
potęncia atômica. Ou com a ditadura de Kadhafi na Líbia. Ou com o
inexpressivo
Gabăo, onde nosso presidente disse que iria aprender como se faz para ficar
37
anos no poder. Ou com a paupérrima e ofensiva Coréia do Norte, que ameaça
seus
vizinhos com bombardeio nuclear.

Lula declara sua rejeiçăo ao comunismo e, no campo interno,
dá mostras de
convicçőes democráticas, pouco cedendo ŕs tendęncias socializantes de seu
partido. Em contrapartida, no campo externo, segue o aconselhamento de seu
assessor Marco Aurélio Garcia, secundado pelo áulico Celso Amorim. Os fatos,
consumados, săo de retorno difícil. Mas, e o futuro? Que diretriz de
política
exterior seguirá, se eleita, sua candidata, com o passado de que se orgulha,
guerrilheira e terrorista que se empenhava em implantar a ditadura do
proletariado? Como poderá contrariar seus partidários, esquerdistas tăo
radicais quanto ela?

Há sobejas razőes para preocupaçăo.

Armando L. M. de Paiva Chaves

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